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terça-feira, 30 de junho de 2026

Sertânia: A República da Poesia


Por: Josessandro Andrade || Poeta, Compositor e Educador

Sertânia é conhecida como a República da Poesia porque a arte dos versos está presente em cada detalhe de sua história, desde o nome da cidade até os seus símbolos oficiais. Isto  mostra com muita beleza como a identidade do município foi construída por mentes brilhantes e poéticas.

Os Pilares da República da Poesia são os símbolos oficiais, que atestam suas origens ligadas aos Poetas: o Nome da Cidade, que foi escolhido por Ulysses Lins, o "Trovador do Sertão". Ele também é chamado de "Patriarca da Literatura Sertaneja". Em  maio de 1943, o então município de Alagoa de Baixo passou a ser chamado de "Sertânia", que significa "Cidade sertaneja", por sugestão do Poeta  Ulysses Lins. O Hino Oficial de Sertânia foi escrito por Waldemar Cordeiro, o "Gênio do Lirismo" ou o Velho  "Dema do Moxotó". Ele fez a letra em parceria com o famoso maestro Nelson Ferreira. A Prefeitura de Sertânia , sede do Governo municipal, foi construída na gestão de Alcides Lopes de Siqueira, o "Doutor da Poesia", que era médico, prefeito e poeta, um dos fundadores do Movimento armorial, com Ariano Suassuna. O Monumento Histórico que fica nas escadas da prefeitura. Ele conta as raízes e  a história da cidade em versos e pinturas, feitos pelo poeta e artista plástico Marcos Cordeiro. As pedras em cerâmica deste monumento foram produzidas na oficina do famoso ceramista Francisco Brennand, no Recife. 

A celebração Musical desta identidade poética está retratada na música "Mestres do Moxotó". O baião de autoria dos compositores Josessandro Andrade e Duval Brito, cantado por Luiz Wilson no CD "Sertaniando" (2016), celebra esses três mestres da poesia, e a Casa dos Poetas, um espaço que registra e difunde a Poesia do lugar em suas diversas linhagens. 


Esta Poesia eclética de Sertânia a faz um pátria poética diferenciada. Dos Mestres Ulysses Lins, um ícone da Poesia de essência nordestina, Waldemar Cordeiro, da tradição Regional simbolista, até Alcídes Lopes de Siqueira, da tradição Sertaneja - Armorial,  até a poesia em versos livres de Corsino de Brito - "O Bardo do Piutá",  José Carneiro "A Lenda do Verso Livre", e Hamilton Rodrigues - "A Voz da Solidão", na Prosa poética do Espetacular Marcelino Freire. A Literatura de Cordel tem como grande Astro Abaeté do Cordel, Fundador e dirigente da Casa do Cordel, em Natal RN. A Cantoria de Viola, que teve como pioneiro em Sertânia Gato Velho (este  por muitos anos fez dupla com Pinto do Monteiro, que residiu em Sertânia durante bastante tempo) tem hoje João Lídio como grande estrela da nova geração. Na Toada boca de grota, a grande referência é o saudoso Aboiador e toadeiro Inácio Siqueira - O Pastor do gado.  A Poesia popular tem dois grandes destaques Vanildo Silva, Vanildo Cangalha - O Poeta do pé da Serra, e Genival Pereira - Gato Novo, que foi cantador repentista, Cordelista e compositor. O estudioso de poesia e Poeta Ésio Rafael e o Poeta artista Chico Arruda  completam este quarteto. 

A Poesia está nos cartões postais de Sertânia, que são pontos turísticos, como os monumentos: Armazém Central das Artes, em forma de catálogo de produtos  em rimas , no Parque Memorial Padre Christiano Jacobs, como Cronologia em versos, narrando a trajetória do holandês, no terraço do Sabores da Roça , Anthony Freire e Lúcia criaram o Mural de Poemas em quadros "Sertânia em versos", só com autores locais. A Poesia está em toda parte em Sertânia, sobretudo nas paredes dos  Muros da cidade , com poemas dos Poetas da Terra, no "Poesia nas ruas", projeto destacado pelo saudoso escritor Raimundo Carrero. Isso também pode ser constatado por outras personalidades. “No Sertão do Moxotó avistei uma cidade, suas ruas, suas praça exalavam poesia. Nas minhas batidas de pernas pelo mundo afora, Sertânia me impressionou pela sua representatividade em se falando de cultura popular. Pequena em território mas grande em poesia, viva Sertânia!”, destaca o Professor universitário e cordelista Antônio Andrade Leal, de Vitória da Conquista-BA.

Também no dia a dia e na convivência das pessoas na cidade, inclusive nos ofícios e profissões. Sertânia   tem em sua história prefeito poeta Alcídes Lopes de Siqueira, Presidente da câmara Bartolomeu Brasiliano, Juiz da comarca Manoel Barros de Freitas, Padre Airton Freire. Pastor José Andrade, líder espírita André Pinheiro, médico Wilson Freire, Odontologista Marcos Cordeiro, professores Antônio Amaral, Luiz Carlos Monteiro, Ivon Rabelo ,advogados Adilson Freire, Paulo Mariano e Jairo Araújo, policiais Anthony Freire e Leonardo Mariano, servidor público Carlos Celso, engenheiros Antônio Belo, gari Gabriel Oscar e o coveiro Márcio Queiroz. As mulheres são muitas Rosa Ignez, Therezinha Lins,  Elisa Freire, Inez Olude, Ada Siqueira, Eliane Freire, Adriana Neves, Suzana Vasconcelos. Daiane Rocha, Maria Gomes, Ana Rita de Queiroz, Alane Gaspar. É comum encontrar gente do povo, nos subúrbios, figuras populares que declamam poesia no cotidiano dos moradores. No Alto do Río Branco, Pedreiro e zabumbeiro Zé Nilton, Abel Martins, o Abel do Doce, Gilson Gênio - o Relojoeiro. No Alto do céu, Joselito Maciel, o Neném das Cocadas. Lá fora, nossos Poetas artistas fazem dão destaque ao nome de Sertânia em outras paragens: Luiz Wilson e Paulo Mapu em São Paulo, Adilson Medeiros em João Pessoa, Andrade de Sertânia em Vitória da Conquista, Duval Brito em Paulo Afonso,  Reginaldo Siqueira no Recife, César Amaral em Portugal, Alemanha e pelo mundo, sem tirarem os olhos e os corações da terrinha, onde  Anacleto Carvalho, Tiago Patriota, Heures Tavares, Daniel Medeiros, Jailson Santana, Guri e Cyeldes cultivam o chão sagrado da poesia em Sertânia. Adriana Mayrinck, da infinita Lisboa, em conjunto com  Josessandro Andrade, da moxotó produções, coordenaram cinco volumes do livro “Ecos do Nordeste”, um projeto que publicou em Portugal, mais de 30 (Trinta) poetas de Sertânia, cujas obras atravessaram o oceano e ganharam o mundo.

Além da Casa dos Poetas, mantida pela SAPECAS (Sociedade dos Poetas Escritores, Compositores e Artistas de Sertânia, que faz rodas de poesia com Poetas, a exemplo de José Wesley, Thalisson Fernando, Gabriel Oscar, e Artistas Romildo Douca e Josiene Lira). Dos seus projetos uma nova geração ganha forma Anderson Felipe, Jaciel Silva, Sérgio Murilo, Jhon Morais e Pedro Lucas. Existe também o Beco dos Poetas (do meu primo João Laet, onde se destacam os Poetas  Ilton Pinheiro, Pito e Yuri de Padim) como outro local onde a poesia é difundida e preservada. O jornal de Poesia "Cabeça de Rato" leva Poesia  a leitores em geral, editado por Zito Jr, Flávio Magalhães, Álvaro Góis e Josessandro Andrade existe há mais de 38 anos, sendo um dos mais antigos do país. O Grupo "Coração de Poeta", de Kalu Vital, Galdêncio Pereira, Júnior Cordeleza e Felipe Moraes faz show de música e poesia. 

O escritor romancista Sidney Nicéas, que atua com André Pinheiro, Cristina Amaral e Nena Queiroga, no Projeto “Sertânia sem fome”, o destaque poético e cultural de Sertânia é impactante: “É incrível como Sertânia respira cultura, literatura, leitura, o tempo todo. Essa cidade não pára”. Foi lá que ele conheceu Carlos Sierra, e juntos montaram vários trabalhos em parceria. O Escritor colombiano Carlos Enrique Sierra, que já morou no lugar, sintetiza: "Em Sertânia quando um poeta passa na rua e a gente chama a sua atenção dizendo: Poeta!, parece que todo mundo se vira pra olhar e atender aquele chamado". Pelo que se vê: É o chamado da poesia, a voz que se ouve em Sertânia, a República da Poesia.

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