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sexta-feira, 19 de junho de 2026

São João & Copa do Mundo - O Silêncio das Ruas e o Resgate da Nossa Identidade


Por Josessandro Andrade * 

As ruas de Sertânia estão silenciosas. Estamos na época em que o Brasil se une pelo futebol e o Nordeste pulsa com o São João. Mesmo assim, quem caminha pela nossa cidade quase não vê sinais de festa. Falta cor, falta fogueira e falta o brilho nos olhos do nosso povo.

O poder público se omitiu. Não se vê uma bandeirinha ou um banner sequer para motivar a população. Colocar apenas um telão na praça principal não é o bastante. Isso os bares locais já fazem muito bem. O papel da cultura é ir além. É preciso despertar o sentimento de identidade nacional, a nossa "Pátria de chuteiras", como dizia Nelson Rodrigues. Mais do que isso, é preciso valorizar a nossa essência cultural nordestina, que o São João tão bem representa. Escrevo na dia do segundo jogo do Brasil, e a está altura não se tem notícias se haverá São João oficial, sequer se teremos Palhoção para apresentação de quadrilha . O Palhoção servia para as escolas durante o dia. Ao que ficamos sabendo não houve o apoio as Quadrilhas, como em anos anteriores. Só em 2024 foram 18 quadrilhas patrocinadas. Este ano, procuramos saber , mas nem as redes sociais do Município de Sertânia fazem nenhuma referência a questão. 

Essa falta de ação atual nos faz lembrar que é possível fazer diferente. Em 1998, quando estivemos à frente do Departamento Municipal de Cultura, vivemos esse mesmo cenário de Copa e São João. Junto com a então primeira-dama Cleide Ferreira, criamos um projeto para unir essas duas paixões. Lançamos um concurso de ornamentação de ruas com esse tema.O resultado foi um sucesso estrondoso. Mais de 20 ruas se inscreveram e o povo se mobilizou por conta própria. 

A rua vencedora foi a Seis de Março, a rua da feira. No dia da vistoria, eles nos receberam com um trio de forró pé de serra e a banda de pífanos do mestre Zuza Galdino. Havia crianças jogando bola com a cabeça raspada no estilo do Ronaldinho, que era a moda da época. Como prêmio, a rua ganhou a festa de São Pedro com banda ao vivo. Levamos para lá a exposição "São João em Sertânia", do fotógrafo Djair Freire, que tinha acabado de fazer sucesso no Recife. Foi um momento de pura animação e alegria que envolveu toda a comunidade.

Aquele ano deixou uma lição clara: mesmo com pouco dinheiro, dá para fazer a diferença. Não é uma questão de grandes verbas, mas de ter gestão e vontade. É preciso ter criatividade, ouvir as pessoas que têm boas ideias e apostar na força do nosso povo. Sertânia merece reviver o orgulho de sua cultura e de suas tradições.

* Josessandro Andrade é poeta, compositor, autor teatral e educador. 

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